Em busca de novas paragens

Rápidos rastros, realmente rasos
De reles roubos relegados ao acaso
Rasgam ruidosamente os sonhos
Na retórica dos relatos tristonhos

Ruge o leão, reinando o tempo que urge
Retrato da nobreza que se insurge
Roubando até as risadas do rouxinol
Que ruma ao redomoinho buscando o sol

Ah! Lá longe há de se encontrar
Novos campos, novas ocasiões
Para em nosso âmago regozijar

Não haverá lá mais ladrões
Mais pobres esfomeados ou mandriões
Há de ser nosso mais novo lar

Qualquer coisa aí.

Quero ouvir os pássaros de novo
Seus cantos precisam ecoar
As gralhas devem tomar o ar
Trazer de volta à vida, o povo.
No farfalhar que vem com o vento
vem o férreo aroma das folhas
que retira o ar das bolhas
tornando até o morto, atento

Existo em meio à desavença
A cada ideia, mais me venço
e a cada vitória, mais penso.
Torno-me réstias de esperança
num imenso mar de desespero.
Tudo o que do mundo espero
é que se viva livremente
que a paz reine eternamente.

Pluralidade.

Postam-se aqui as esperanças
Lúdicas, doces ou pretensas
Um emaranhado cheio de vidas
Restos de ilusões quebradas
Ante o fatal perigo frequente
Louvemos o pensamento constante
Ir, vir, sorrir, falar e cantar
Direitos que não se deve negar
Ainda que haja a tentação
Deve-se exaltar a aceitação
Em busca da total pacificação.


Aos meus sete leitores (sim, o número cresceu), um curto poema aí, que escrevi durante a aula de História Social e Pensamento Educacional na sexta passada.
Todos sabem que eu sou gordo e que não sou a favor dos padrões de beleza estabelecidos em nossa sociedade como forma de vida, mas li agora há pouco, no Globo.com, uma notícia que me deixou assustado. Nessa onda social de sempre vencer, de sempre querer ser o melhor em algo, não importando o custo, surge uma americana pra lá de estranha: Donna Simpson, de 42 anos e pesando 273 quilos.

Vejam só, Donna está numa luta pra entrar no Guinness Book como a mulher mais gorda do mundo. Já não lhe basta seu título de "maior mãe do mundo" (tinha 235 quilos quando deu à luz sua primeira filha, Jacqueline). "Adoraria pesar 453 kg", foi o que ela disse numa entrevista ao jornal Telegraph. Apesar disso, a dona aí ainda se considera uma pessoa saudável. Veio ela com a seguinte declaração: "Minha comida preferida é sushi. Consigo comer 70 pedaços de sushi de uma vez só". Alguém me explica onde que comer setenta pedaços de sushi numa sentada é saudável?

É só impressão, ou tem algo muito errado com o mundo? Algumas mulheres buscam a extrema magreza para serem aceitas na sociedade, para serem melhores que as outras. Esta mulher busca a gordura extrema para entrar no Guinness e se destacar, nem que de uma forma jocosa (na minha opinião). Essa lógica capitalista de vencer sempre está levando as pessoas à loucura. Estes modos de vida geram apenas angústia, ansiedade e vazio. E nestes casos estéticos, gera também problemas de saúde não relacionados ao cérebro.

Para quem quiser conferir a notícia e uma foto da Donna, eis o link: Globo.com

Descansem em paz, Glauco e Raoni.

 

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