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Marcham os soldados...


Todo o dia que os milicos passam correndo e cantando aqui do lado do prédio, sinto vontade de ensinar uma canção nova pra eles. Algo assim:

Por favor, ô seu sargento
Por que o senhor não dá um tempo?
Chega dessa cantoria
Me enchendo o saco todo dia!

Um, dois
Passam os bois
Três, quatro
Se indo pro meio do mato
Cinco, seis
Comandando como reis
Sete, oito
Vivendo sempre afoito
Nove, dez
Ao ritmo dos seus pés

Por favor, ô seu sargento
deixa desse abrasileiramento
Chega dessa cantoria
que matou um cidadão por dia!

Uma homenagem a H.P. Lovecraft

Iä iä! Cthulhu fhtagn!

O Sol submergirá em profunda escuridão;
Nascerá o dia sem calor, a noite sem luar

Na treva alheia, encontrar-se-á iluminação
À sombra dos espíritos em descanso milenar


Sopra o hálito pútrido; Voz eterna da náusea
Que profere toda as glórias profana à morte!
Logo emergirão de sua velha morada óssea
Os esquecidos versos Ancestrais de fel porte.

Aquele já se foi para sempre será no instante

em que o Tempo se tornará uma espiral contínua.
O destino pela eternidade jaz junto ao litigante
Que aguarda, afogado, a morte descontínua.

Ph'nglui Mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn


Imagem da HQ Neonomicon, de Alan Moore

Sem nome, nº 13

Suam as mãos, soa o coração
Ritmo incandescente do futuro.
O tempo vive em eterna retração
Faltam segundos, sobram muros.

Sua o coração, soam as mãos
A continência é só um sussurro.
Roubam-me até minha contradição
O mel disfarça qualquer murro.

Gangrena, febre e vil podridão!
As sinapses de um cérebro infiel
Tesas glândulas 'inda denunciarão.

Sorrisos e promessas de papel
Que sobra para o povo, então?
Jogam-se os amanhãs ao léu!

Evangelho de meu tempo

A peregrinação da alma vazia levou-me ao abismo.
Irmãos, tenho vivido há tempo demais no deserto.
Irmãs, nunca antes na vida tive conceito mais certo.
Revelar-lhes-ei a Verdade de todos os nossos ismos.

Nunca cri, não creio e nem acreditarei no que há além.
Não pretendo dizer-lhes que senti Deus, Alá ou Buda.
Mas como eremita social e moral, minha visão é aguda
E mortal. Meus ouvidos escutam mais do que me convém.

Disseram-me os silêncios das Igrejas que Deus é amor,
mas antes de cada guerra, ouvi o clamor por Seu nome.
Onde estava o amor? Que fogo sagrado que lhe consome?
E dizem que Cristo se sacrificou com intuito redentor.

Não, irmãos, não! Não foi para vosso abandono alheio
que Cristo se sacrificou. Haverá de ter sido em vão?
Crucificar-me-iam assim que eu negasse ser cristão.
É crime negar-lhes; mas digam-me, o que é ter receio?

É gesto majestoso e sagrado ajoelhar-se por ter medo?
Se assim for, Deus vos benze através da bruta polícia,
dos cruéis assaltos e assassinatos, da oral malícia.
O medo nos aprisiona! Digam-me: é este o seu credo?

Mandaram-me amar meu vizinho, mas e se ele for gay?
Aí dirão que não posso. Por aqui é errado ser feliz;
porque sim, há um jeito apropriado para se ser feliz.
Mas e Deus não era amor? Ou sabe ele algo que não sei?

Não fomos, afinal, feitos à Sua imagem e semelhança?
Sendo assim, imagino que saibamos tanto quanto Ele
a menos que haja algum segredo que Ele não nos revele.
Sei de tudo isto, mas gostaria de negar esta herança.

Grito, mas sou sufocado em nome do silêncio que rege
o santuário. Se vos roubo com promessas, sou acolhido.
Mas caso diga que preciso de uma moeda, serei excluído.
É duro a vida do pobre herege cuja graça não se elege.

Apedrejar-me-ão tão logo tais versos forem lidos.
"Blasfêmia!", é o que gritarão aqueles que amam odiar.
É isto que nos tornamos quando escolhemos o altar
em troca daquela fé que pensávamos ter escolhido.

Meu desejo não é ofender, mesmo que isso vos ofenda.
Não! Anseio por um mundo melhor, onde todos coexistam.
Gostaria de fazer este sacrifício para que desistam
desta vida de injúrias, perjúrios e falsas oferendas.

Sacrifico estes meus versos em nome da humanidade.
Não deverás pagar dízimo; não deverás mais detestar.
Não discriminarás; não mentirás; deverás libertar
tua mente e teu mundo de toda mundana improbidade.

Não sei teu nome e tão pouco importa que saibas o meu.
Escuta minhas palavras: não confudas fé com religião.
Não confundas xenofobia e homofobia com a salvação.
O dever para com esse futuro é tanto meu quanto teu.

Dia dos pais...

Durante séculos mantivemos nossas diferenças
Tempo que um dia parecerá longo demais.
Dirá que houve até intransponíveis desavenças
que outro dia talvez não fossem nada demais.

Assim como um Zeus que desafia seu Chronos
já tivemos asperezas e até silêncios demais.
Em nome do ego e da juventude, construí tronos
D'onde reinei como um tolo, arrogante demais.

Desafiar paterna autoridade é apenas humano;
mas sulca na carne da alma cicatrizes demais.
E tudo em nome de muitos e mesquinhos enganos.

Os anos passaram, talvez, rápido demais.
E com eles vêm a dor que causaram os enganos.
Hoje é um daqueles dia em que sinto falta de meu pai.

Dorme, criança

Como ferro frio que destrói assombrações
o mundo teima em ceifar-me as aspirações
Se para viver neste mundo sou incapaz,
certamente é porque o onírico me satisfaz

Uma hora a menos para cansar-me e matar;
um punhado de meses a mais de vida voraz.
O sol nasce e me destrói, suga-me todo ar
como fogo que consome a floresta mais tenaz.

Torso em riste, punhos cerrados, cabeça vazia:
Querem todos que eu realmente desista de sonhar!
A cama à noite e horas para gastar durante o dia.

Desejava mesmo te fazer dormir e  flutuar.
Irrigar-te com um pouco de luz, como fazia
o sol ao se pôr para acender o belo luar.

Desaparecimento

Pedaço por pedaço, cedo desapareço
Como fumaça e gritos em meio a prantos
Toca-me o fado da existência ao avesso
Essa doce magia que perdeu seu encanto

Sobra a névoa de mais espesso porte
Sobra aquela velha dor que nunca perdoa
E se os versos entristecem vossa sorte
É porque há anos eles têm vivido à toa

Os antigos sábios já não sobem aos céus
Suas suaves silhuetas e sons são absorvidos
E ressonam na sinfonia dos solitários mausoléus

Que silvam mil sussurros suspeitosos
Que sulcam-nos sonhos sombrios e sórdidos
E sugam o suado sangue dos silenciosos

Sobre ciência política

Entre falsos abraços e elusivas promessas
escondem-se as maiores dores do coração
Doces sorrisos revelam subliminares ameaças
Vidas vazias vagam no alento da vulgarização.

Soam solidárias as elegias dos anjos celestes
que do centro do paraíso sorriem aos mortais.
De espada em riste, é dura a vida no agreste
onde se mata a dignidade por uns trocados a mais.

O hálito maculado pela podridão da doce morte
inebria os olhos e ilude qualquer velha inocência
que se revista de honestidade de qualquer sorte.

Antigos costumes ainda vivem sem muita decência
e ainda encontram neste mundo renovados aportes.
Finda aqui qualquer esperança na política ciência.

Dia dos namorados, coração alardeado

Sei que o dia dos namorados foi ontem, mas eu acabei esquecendo de postar o poema por aqui ainda ontem. Bom, suponho que o que vale é a intenção, certo?

Coração alardeado


Cala-te, coração que se demora!
Não me abandones, amigo incauto,
que a razão me foge justo agora.
Logo tu vens a alardear bem alto
que me perdi contigo mundo afora.

Cala-te, coração tolo e cruel!
Mal podes aguardar por essa hora
em que terás chance de me ver réu
do amor insano que há meses aflora
em meu peito despido de véu

Cala-te, lembrança inglória!
Não quero mais lugar no teu céu,
e nem quero mais essa história!
Só desejo esse amor que meu
peito acalenta com febril memória.

Cala-te, coração afoito e pesado!
Deixa-me viver meu dia de glória.
Ouvir uma solícita voz, compromissado
com os frutos da apaixonante vitória!
Descansa, coração, já estou apaixonado!

Fala, coração, só quando for contar
ao mundo que hoje é dia dos namorados.
Nas asas dos beija-flores, vivo a voar
espalhando no vento que sou enamorado...
Como o céu ama as estrelas e o luar.

Conversas com as Pessoas de Fernando...



Diz-me lá, velho mestre d'outrora
que fazes a pregar teus sonhos e fados por aqui?
Para onde foram as naus que agouras?
Foram-se atrás de Sebastião e deixaram-te aqui?

"Que sonhos?... Eu não sei se sonhei... Que naus partiram, para onde?
Tive essa impressão sem nexo porque no quadro fronteiro
Naus partem - naus não, barcos, mas as naus estão em mim (...)"

Calma lá, velho amigo, nem tudo está perdido.
Não te desapontes frente às absurdas Horas!
Alivie a dor nos papéis, diga o não-dito
que ainda há de se escrever. Não te acanhes: chora!

"Todos os ocasos fundiram-se na minha alma...
As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...
Secou em teu olhar a ideia de te julgares calma,
e eu ver isso em ti é um por sem navios"

Todas as dores do mundo recaem sempre sobre nossos ombros
Os olhos que tudo veem são os dos homens azedos e condenados
Resta um último esforço hercúleo para reerguer os escombros
Encontrar as formas imprecisas nos sonhos que estão afogados

"(...) E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida"

Mas para além dos sonhos, quanto sentido se pode ter?
Tenho tantas dúvidas, e são tantas as minhas incertezas!
Seria a vida o sofrer, o amar, o partir, o ter, o saber?
Que sabemos nós sobre o panteão das filosóficas grandezas?

"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o soul, que peca
Só quando em vez de criar, seca

O mais que isto
É Jesus Cristo
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca”

Tens toda a razão, meu caro lisboeta
Chega de estéticas e morais tísicas!
De hoje em diante, vivo a vida do poeta
mais simples, sem qualquer metafísica!

Como os ingleses, de tabacaria em tabacaria
o resto dos meus míseros dias passarei.
Lá no horizonte, o Tejo; e na cabeça, a poesia!
Se um dia eu o vir, caro amigo, acenarei!

"O homem sai da tabacaria (metendo o troco na algibeira das calças?)
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta).
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e e viu-me
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus, ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu".

______________________________________________________________________
A princípio, esta ainda é um rascunho do meu diálogo imaginário com os poemas de Fernando Pessoa.

P.S.: Para a confecção deste poema, foram usados versos dos seguintes poemas: "A Casa Branca Nau Preta"; "Hora Absurda"; "Liberdade"; novamente de "Hora Absurda"; e "Tabacaria".

Hoje o clube que é dono do meu coração está de aniversário. Comemorando os 108 anos do meu Grêmio, escrevi esta singela homenagem. Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrevê-la.


Teu é o mundo, ó Imortal Tricolor.

Escreveste na grama tua história

Com guerra, sangue, suor e dor.

Ergueste-te na mais alta glória.

Recinto de bravos heróis boêmios;

De Lupicínio a Renato, com o coração

Todos eles vivem nessa tradição

Que fundaste ao nascer, meu Grêmio.

Já desbravaste o Prata e a América,

E ao universo deste teu sangue azul.

Com nobre estirpe e garra feérica

Do pampa já foste o maior cônsul!

‘Inda que nem tudo tenha sido alegria

Na dor, surgiu o pacto de forte união:

Mostrou que na adversidade tudo podia,

Alimentando-se d’uma delirante paixão.

Contigo estão aqueles cujo prêmio

É viver na adversidade e ainda vencer.

Teus são todos os que nada podem ser

Senão plenamente loucos por ti, Grêmio.

Tentando voltar à ativa

Bom, galera, sei que o blog andou largado às traças, mas pretendo voltar a postar por aqui frequentemente. Aliás, queria fazer um convite aos amigos (que eventualmente leiam este apelo) que escrevem poesia: se estiverem afim de publicar, estamos abertos para novos membros. Quero manter isso aqui funcionando a todo vapor!

E para recomeçar, vou postar na sequência meu mais novo poema, que se chama "Brasil". Apesar da sugestão do nome e dos rumos que ele tomou, o intuito inicial era de fazer uma reflexão sobre como temos pouco tempo para ler (e compreender o que estamos lendo) e para ouvir música (e realmente escutá-la). No fim, a coisa desandou e acabou assim:

"O tempo soterra. O mundo devora. Não há espaço para quem erra. Não se ouve mais quem chora. Na terra dos loucos, todos trabalham. Não há mais tempo para viver. Os dias se atulham. Não há para onde correr. A cada esquina, respira a impunidade. Em cada casa, reside o medo. É uma derrota por unanimidade. Não se conta a liberdade nem nos dedos.

Dê um tempo, campeão. Acenda o cigarro. Vende seus olhos e dê as costas ao paredão. Agüente as dores e os escarros. Em algum lugar, na calada da noite. Um último suspiro antes do fuzilamento. Afogue o grito ante o açoite. Dar a outra face? A palavra de um homem morto. Saia e cace. A dor do anonimato será seu conforto.

O jogo começa e o tempo curto. Deitado em berço esplêndido. Esperando pelo fatídico surto. A fagulha que desperta o incêndio. Com os culhões numa bandeja de prata. E o coração numa estaca de madeira. O justo aqui se maltrata. O honesto se tornará poeira.

Produção serial de animais. Enjauladas em sua própria loucura. Animação de assassinos seriais. Ansiosos por uma inexistente cura. É o aperto de mãos. Cordialmente hipócrita e verdadeiro. Nas costas, carrega o bastão. Todos esperam o momento derradeiro.

E aqui tudo acaba. Como começou, terminou. Uma dança macabra. Por quantos dias lhes animou? No mundo sem tempo. No tempo sem cabeça. Dias de tédio sem passatempos. O trabalho que lhe prega peças. Quantas poesias foram lidas? Quantas músicas foram ouvidas? O que foi realmente lido e ouvido? Nada do que está aqui contido.

Em ricos verdes palácios. Com cartas, construídos. Sob a égide de desejos opiáceos. Lar de sonhos destruídos. Sob a luz do céu profundo. Dormes em seio forte. Faustosos e rotundos. Que vivem da Sorte. Artimanhas friamente elaboradas. Dos tempos imemoriais. Que a Justiça seja eternamente caçoada. Pelos desígnios dos doutores imperiais."

New Orleans, New Orleans

Vocês sabem que eu não posto nada aqui faz bastante tempo, e eu nem sei quem ainda lê isso aqui, mas enfim, vou compartilhar meu último escrito, inspirado no som das brass bands de Nova Orleans:

I wasn't born on the bayou
And I've never been a hobo
But the blues is in my soul
and there's only one place for me to go

New Orleans, New Orleans
city of the brave, land of the bold
Motherland of all my dreams
Cradle of all our souls

Jack Dupree, the champion
was born in New Orleans
As well as Dr. John
and the others that haven't been seen

New Orleans, New Orleans
city of the brave, land of the bold
Motherland of all my dreams
Cradle of all our souls

I'm movin' away now
Driftin' from town to town
And I won't settle down
'til I get to New Orleans

And until then
I'll show that it isn't the tone of our skins
that defines who's a man
In music we're all the same
'cos music comes from soul
and that you cannot blame

New Orleans, New Orleans
city of the brave, land of the bold
Motherland of all my dreams
Cradle of all our souls

When we're lost

Night falls upon dark skies
filled with crying clouds
On and on, for countless times
nature shouts it out loud

Emptiness replaces the love
The harsh feeling of loss
tears the flesh for no cause
No Heaven lies above

It rips the very core of a man
to be drowned in dispair and sorrow
Our hearts are all broken again
What could be waiting for us tomorrow?

None can tell what's our future
But very small proos can be found
once we've been fed to the vultures
or when we're lying six feet underground

Retornando à ativa!

Boa tarde, peep. Volto a postar algo no blog, agora que voltei a escrever um pouco.


We've searched for higher learning
throughout a road built by pigs
Had us a whole life full of nothing
but of intentions of blitzkriegs

Sourful feelings meet us here
finding weary corspses of mind
At our souls, lies the fear
of being spiritualy blind

Those poor of ego won't ever aford
another session of self inflicted pain
This is when they play the last chord

Just one final chapter to gain
Your bittersweet place among the horde
And to proove it all have been in vain

The white man's foul exploitation

These are the words you can't ignore
Oil, slave, hooker, diamond, golden ore
They're causes of this malicious war
The conflict that the white man adores

We swept african land from freedom
Bitter hearts locked in ship's prisons
Sourful men sold for the plantations
We generated nowadays social execration

- like in the old apartheid
none can walk side by side -

Haven't the world suffered much
in those shadowy days of impunity?
Do we still want it in our clutch
to rule the others so pretensely?

Devaneios

Planta-se (es)cravos modernos
Os loucos sonhos externos
Tomados pelos confrontos fraternos
Perpetuando os hiatos internos
Que aproximam todos os infernos
Um sinal de paz, sorrisos doces e ternos
Não relevados pelos conflitos eternos
Dos auspiciosos domínios paternos

Na calada da noite, os dramas
- todos dormem em suas camas -
Menos o senhor e as pobres mucamas
Antigas e cruéis tramas
do torto país que se autoproclama
agente que une, que amalgama
mas que de livre, não tem um só grama.

Uma história que se articula
e durante os séculos, acumula
os problemas excluídos das flâmulas
Devaneios da nação que se intitula
livre do racismo que nos macula.

Novidade!

It's not a sin of a bum
to be on the sight of a gun
Sadness is wide spread
you can find anyone dead

A bitter taste of abandon
fill our hearts with sorrow
In every city, total boredom
Oh, their minds are so narrow

The kids marching out
of robotization factories
Cities growing in oil clouds
ignoring life of the colectivities

Children are born dying
disappearing among the mist
I find my mind flying
looking for a necessary twist

Our life is at an edge of thorns
So maybe we should be reborn
to create new ways of earning
a clean and fair political learning

E dessa vez, dose dupla!

Estava revirando meu caderno aqui pra achar o trecho inicial da Roulette Lives, que eu tinha escrito ontem à noite durante a aula de Teorias da História, e acabei achando um poema em português que eu nem sequer lembrava que tinha produzido. Não acho meus escritos em português grandes coisas, como todos sabem, mas não custa continuar tentando... até porque ninguém lê isso aqui mesmo!

P.S.: um beijo no coração pra todos os sete leitores que eu tenho (ou tive)!




Despertar


No selvagem silêncio da cidade
Sonhos soam com sons soturnos
Sempre sondando sem suavidade
Solitários, sombrios e taciturnos
Sem alguma classe ou moralidade

Ao amanhecer do ruidoso dia
O urro das máquinas cortar o ar
A dor percorre a mente que dormia
Força à bruscamente acordar
Para a sublime vida que perdia

No espelho, olha-se apavorado
Não há mais nada de familiar
Que triste rosto tenso era aquele?
Que pobre diabo sujo se via nele?
Percebe-se, então, a gritar

Na voraz vontade de vencer
Perdeu-se algo importante
E no desejo de (re)conhecer
Pode-se encontrar em sonho distante
O ser que dentro de si está a viver.

Roulette Lives

Livin' like a crazy roulette
No danger I've ever met
Always high, goin for the top
Once it starts, I cannot stop

All the coins I will ever spot
Waiting for me at the final pot
Just another day, another night
Some other snack to bite

The lights are blinkin' all around
Oh my dear, am I alive?
I cannot hear not a single sound

I can't dance, I can't jive
Stuck inside the same routtine
Playin' high for the hive

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